10. CULTURA 16.1.13

1. RUBEM BRAGA INDITO
2. ROCK COM PANDEIRO
3. FAROESTE DA ESCRAVIDO
4. EM CARTAZ  CINEMA - AMOR E AGONIA
5. EM CARTAZ  ARTES - UM MESTRE VENEZUELANO
6. EM CARTAZ  LIVROS - PARA LER E ASSISTIR
7. EM CARTAZ  MSICA - RIHANNA DOMINA AS PISTAS
8. EM CARTAZ - DVD - DE FILHO PARA ME
9. EM CARTAZ  AGENDA - FESTIVAL DE TIRADENTES/MY FRENCH FILM/PRAZER
10. ARTES VISUAIS - CULTURA DO CHOQUE
11. ARTES VISUAIS  ROTEIROS - PONTO DE MUTAO

1. RUBEM BRAGA INDITO
Considerado um dos principais cronistas do Pas, o escritor tambm desenhava, era um fotgrafo excelente e tinha paixo pelas artes plsticas. Tudo isso  revelado agora em documentos nunca antes exibidos
Wilson Aquino

 FOTOGRAFADO - Braga diante de uma runa em Atenas, na Grcia: carreira diplomtica e gosto pelas viagens
 
O escritor capixaba Rubem Braga (1913-1990), cujo centenrio de nascimento  comemorado no sbado 12,  tido como o pai da crnica moderna brasileira. Sua atividade, no entanto, no se reduz  de brilhante comentarista do cotidiano e autor de 15 mil textos marcados pelo humor e pela leveza. Em Vitria, no Esprito Santo, a exposio Fazendeiro do Ar, reunindo o acervo guardado h duas dcadas por sua famlia, revela um artista que no se dedicava exclusivamente s letras. Em fotos, documentos, caricaturas e autorretratos inditos, o que se v  um criador de facetas desconhecidas. Poucos sabem, por exemplo, que ele escrevia poesia, diz o tambm cronista e jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, curador da mostra que viajar depois por So Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Ele se destacou como um grande fotgrafo, alm de fazer caricaturas e desenhos do seu dia a dia, diz o coordenador da exposio, Robson Outeiro.

FOTOGRAFANDO - Vista do rio Itapemirim, no Esprito Santo, feita pelo cronista, que tinha cmeras profissionais
 
Os organizadores garimparam documentos nunca revelados de Braga, como a sua carteira de identidade expedida em rabe, lembrana dos tempos em que foi embaixador do Brasil no Marrocos, nos anos 1960  a cerimnia de entrega das credenciais ao rei marroquino est registrada no segmento Diplomata. Tambm sero mostrados, em primeira mo, retratos do cronista feitos por alguns de seus amigos, como os pintores Candido Portinari, Clvis Graciano, Caryb, Carlos Scliar e o compositor Dorival Caymmi. O gosto de Braga pelas artes plsticas extrapolou a atividade de crtico, prtica desenvolvida em jornais gachos e em comentrios num programa da Rede Globo, quando analisou as obras de Bruno Giorgi, Lasar Segall e Djanira. Ele chegou a ter uma galeria em Ipanema nos anos 1960, mas no durou muito, diz Santos. Na exposio podem ser vistos ainda alguns autorretratos, entre eles um bastante curioso, em que se apresenta como anjo.

AMIGOS - Braga (o segundo da esq. para a dir.), com Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Jos Carlos Oliveira, Vinicius de Moraes, Otto Lara Resende e Chico Buarque
 
Em meio s imagens descobertas, h flagrantes do escritor em viagens pela Inglaterra, Itlia e Grcia, tal e qual um turista comum, posando diante de runas, e o registro de um encontro notvel, entrevistando o poeta francs Jacques Prvert em Paris, em 1950. Raras so tambm as fotos de autoria de Paulo Garcez, feitas na cobertura do escritor, em Ipanema. Nas 12 imagens Braga aparece acompanhado do poeta Vinicius de Moraes e dos escritores Jos Carlos Oliveira, Fernando Sabino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos  e, surpresa, do compositor e escritor Chico Buarque. Esse ambiente inspirador de conversas e recordaes  reproduzido no segmento denominado Cobertura e serve de mote para toda a exposio.
 
O ttulo da mostra, Fazendeiro do Ar, faz uma referncia  fazenda que Braga plantou no ar de Ipanema, j que tinha uma roa l, explica Santos.


2. ROCK COM PANDEIRO
Com uma agenda de 25 shows por ms, a banda Samb conquista o pblico tocando verses de clssicos do pop - e at Beatles - em ritmo de samba
Aina Pinto 

SUCESSO   O grupo Samb liderou as vendas digitais: quatro milhes de acessos no YouTube
 
Tocar rock em outro ritmo no  novidade: h algum tempo, a banda Easy Stars All-Stars faz sucesso gravando clssicos roqueiros no embalo do reggae. O grupo Samb, de Ribeiro Preto, faz o mesmo usando o samba e est virando mania do vero. No YouTube, o vdeo em que eles cantam nesse estilo a msica Sunday Bloody Sunday, do U2, j teve quatro milhes de acessos. Seu nico CD, Estao Samb, ocupou recentemente o posto de mais vendido da iTunes Store brasileira. Tudo isso tem feito a banda, que comeou se apresentando em festas de amigos, cumprir uma apertada agenda de 25 shows por ms. O antigo samba rock  um estilo de samba. Ns pegamos msicas de outros estilos e adaptamos ao ritmo, diz Ricardo Gama, tecladista e responsvel por reunir a turma de seis msicos.
 
Como s tocam hits de medalhes do pop, conseguir a liberao dos direitos autorais poderia ser um empecilho ao trabalho do grupo, mas isso no vem acontecendo. At hoje, apenas os herdeiros de Raul Seixas foram mais resistentes  do roqueiro baiano, o Samb j gravou Rock das Aranha, registrado no primeiro DVD, de 2009, e Aluga-se, no segundo, de 2012. Eles j tiveram autorizao dos Rolling Stones (Satisfaction) e mesmo dos Beatles (Cant Buy me Love). Se a msica  do John Lennon, a Yoko Ono pede para ouvir antes de liberar, diz Gama.


3. FAROESTE DA ESCRAVIDO
No filme "Django Livre", o diretor Quentin Tarantino cria polmica ao narrar, em forma de bangue-bangue, a trajetria de um escravo americano justiceiro e vingativo
Ivan Claudio

VIOLENTO - Leonardo DiCaprio interpreta um fazendeiro perverso: primeiro vilo de sua carreira
 
No filme Django Livre, faroeste passado durante a poca da escravido nos EUA (estreia prevista para a sexta-feira 18), ouve-se a palavra nigger (crioulo) pelo menos 110 vezes. Tratando-se de um enredo com durao de 2h45, calcula-se que a expresso  dita quase a cada minuto. Nos EUA, o termo nigger  considerado um xingamento. Tanto  assim que, na imprensa, ao se referir a ele, usa-se o termo n-word (palavra que se inicia com n). Natural, portanto, que o diretor Quentin Tarantino fosse criticado por essa provocao, o que de fato vem acontecendo em seu pas e em qualquer lugar onde Django Livre  exibido. Sua irreverncia, no entanto, vai mais longe. Ao abordar um captulo odioso do passado americano  e de qualquer lugar onde vigorou o trabalho escravo , o diretor voltou as costas aos manuais acadmicos e criou uma verdadeira fantasia histrica.  o que os especialistas chamam de alternate history (histria alternativa), quando episdios da humanidade so relidos segundo a tica da fico, muitas vezes negando fatos sobre os quais no existe qualquer dvida de sua veracidade.

DUPLA ATPICA - O alemo Schultz (Christoph Waltz) e o escravo Django (Jamie Foxx): em busca de recompensas
 
Como  um diretor extremamente talentoso, essa ousadia rende sempre enredos instigantes, como seu filme anterior Bastardos Inglrios. O mesmo se d nesse novo trabalho, orado em US$ 100 milhes e que j se pagou s com a renda alcanada nos EUA em duas semanas de exibio. O faroeste segue a trajetria de Django (Jamie Foxx), um escravo que se investe de vingana para libertar a sua amada de um feitor abominvel. Tudo  improvvel, a comear pelo nome do heri, tirado dos westerns espaguetes estrelados por Franco Nero  que, alis, faz uma ponta na produo. A surpresa j d sinais no prlogo, quando Django  salvo de uma dupla de vendedores de escravos pelo caador de recompensas alemo King Schultz (Christoph Waltz), que se passa por dentista itinerante  ele precisa da ajuda de Django para encontrar alguns bandidos cujas cabeas valem ouro. Em troca, o escravo faz uma exigncia: que o novo senhor o ajude a encontrar a namorada, levada para as plantaes de algodo do cruel Calvin Candie (Leonardo DiCaprio, em seu primeiro papel de vilo). 

O que se assiste nesse priplo em direo ao sul escravocrata  algo que nunca foi mostrado em filmes do gnero. A crueldade dos fazendeiros  descrita em tom aberrante, mas,  medida que a trama avana, Django vai ganhando poder e se transforma numa espcie de Zumbi de coltre e pistolas. Numa das cenas mais polmicas, chicoteia antigos senhores com a mesma violncia que sofria no passado. No h nada melhor que matar branco e ainda ser pago por isso, diz ele. Resistente a essa apropriao da histria dos afro-americanos, o diretor Spike Lee foi o primeiro a se colocar contra o filme. Publicou em seu Twitter que no iria assisti-lo e que a escravido no foi um faroeste espaguete de Sergio Leone, mas um holocausto. Tarantino disse que sabia do que estava falando e que no tinha o menor escrpulo em tratar do assunto dessa forma: Filmes sobre a escravido sempre foram feitos com o vis de histria com H maisculo. Quis quebrar essa redoma, jogar uma pedra nesse anteparo de vidro, estilha-lo e assim envolver as pessoas, disse ao jornal ingls The Guardian.

Liberdades histricas so comuns nos trabalhos de fico, mas Tarantino faz questo de exacerb-las a ponto de soarem absurdas. Em outra passagem improvvel, Django aparece vestido como um criado da monarquia francesa, usando casaca e cala azuis, sapatos de salto, meias brancas e frufrus no pescoo. Do alto de sua postura racista, Candie d uma longa explanao para a suposta submisso dos negros  obviamente uma mentira de fundo biolgico. O mais surpreendente  que esse enredo explosivo e naturalmente candidato a gerar polmicas no afastou astros afro-americanos engajados, como Jamie Foxx e Samuel L. Jackson, que interpreta um escravo traidor de sua causa, brao direito do latifundirio Candie. Foxx, inclusive, levou seus filhos para conhecer um dos sets de filmagem, a fazenda Evergreen, em Nova Orleans, onde se montou o cenrio de uma senzala, propriedade que remonta aos tempos escravocratas. Achou a visita didtica. Lembrando a postura do dramaturgo alemo Bertolt Brecht, que respondia aos crticos que no fazia teatro mas teato, Tarantino afirmou que seu filme no  um western, mas um southern (por se passar no sul dos EUA). Uma piada que, no caso, procede.


4. EM CARTAZ  CINEMA - AMOR E AGONIA
Grande vencedor do Festival de Cannes e forte concorrente ao Oscar de melhor filme em lngua estrangeira, o longa austraco "Amor"
por Ivan Claudio

Grande vencedor do Festival de Cannes e forte concorrente ao Oscar de melhor filme em lngua estrangeira, o longa austraco Amor (estreia na sexta-feira 18) trata de um tema caro ao cineasta sueco Ingmar Bergman: o enfrentamento da morte. O diretor Michael Haneke, contudo, declarou que a influncia do mestre se d mais em relao ao trabalho dos atores que ao assunto do filme. Na trama inteiramente passada em um amplo apartamento parisiense, os timos Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva vivem um casal de professores de msica octogenrio cuja convivncia de longos anos v-se invadida pela tragdia. Vtima de sucessivos acidentes vasculares, a mulher passa por agonia e deteriorao mental.  quando o amor se revela em sua forma incondicional.
 
+5 filmes de Michael Haneke
A Fita Branca (FOTO) 
Uma pequena cidade na Alemanha tem a calma perturbada por estranhos acontecimentos
 
Cach
 Uma famlia francesa passa a ser ameaada por gravaes em fita de vdeo enviadas  sua casa
 
Violncia Gratuita
 Dois jovens invadem uma casa de campo e cometem atos violentos contra seus ocupantes
 
A Professora de Piano
 O relacionamento obsessivo entre uma professora de conservatrio e seu aluno mais jovem
 
Cdigo Desconhecido
 A vida de dois parisienses de classe mdia vira um inferno aps um deles agredir uma mendiga


5. EM CARTAZ  ARTES - UM MESTRE VENEZUELANO
por Ivan Claudio

Formado no ps-impressionismo, o artista venezuelano Armando Revern (1889-1954) rompeu com os cnones da pintura europeia e buscou incorporar a luz dos trpicos  sua pintura. Com o tempo, suas obras foram se desmaterializando. Passaram a ter tonalidades monocromticas, tendendo ao branco e ao spia. A exposio Relmpago Capturado (Conjunto Cultural da Repblica, Braslia, at 10/2) rene 174 pinturas, desenhos, fotos, esculturas e bonecas que Revern fazia para a sua mulher, alm de uma tela pintada por seu animal de estimao, um macaco.


6. EM CARTAZ  LIVROS - PARA LER E ASSISTIR
por Ivan Claudio
Ao escrever a biografia do presidente americano Abraham Lincoln, a historiadora Doris Kearns Goodwin tinha ao lado um roteirista para transformar sua pesquisa em filme. No   toa, portanto, que Lincoln (Editora Record) chega s livrarias junto com o longa homnimo de Steven Spielberg. O casamento foi perfeito: filme e livro humanizam o personagem, aprofundando os conhecimentos sobre suas extraordinrias habilidades polticas.


7. EM CARTAZ  MSICA - RIHANNA DOMINA AS PISTAS
por Ivan Claudio
Alm de sustentar um bom marketing, o reatamento entre a cantora Rihanna e o seu ex Chris Brown rendeu a melhor msica de seu novo CD, Unapologetic. Trata-se do arrasa-pistas Aint Nobody Business, um disco-house que emula o melhor Michael Jackson com um dueto que define sua relao com Brown: No  da conta de ningum, canta. Voltado para os clubes so ainda Phresh Out the Runway e Right Now, em parceria com o DJ superstar David Guetta. Um de seus trabalhos mais variados musicalmente, o disco traz ainda as baladas ao piano Diamonds e Stay e o reggae No Love Allowed, que remete s suas origens caribenhas.


8. EM CARTAZ - DVD - DE FILHO PARA ME
por Ivan Claudio
Aps ser registrado por Maria Rita, o excepcional repertrio da cantora Elis Regina, morta em 1982, ganha outra homenagem de peso. Idealizado por Pedro Mariano, filho da cantora, o projeto Elis por Eles rene um amplo leque de intrpretes. Coube a Jair Rodrigues, que dividiu os palcos e microfones com Elis, a interpretao de Arrasto. O show, registrado em CD, DVD e Blu-ray, traz Tatuagem com Filipe Catto, Atrs da Porta na voz de Lenine e Como Nossos Pais em verso de Chitozinho e Xoror. Participam tambm Jorge Vercillo, Moska, Diogo Nogueira e Seu Jorge, entre outros. A Pedro coube a interpretao de O Bbado e a Equilibrista.


9. EM CARTAZ  AGENDA - FESTIVAL DE TIRADENTES/MY FRENCH FILM/PRAZER
Conhea os destaques da semana
por Ivan Claudio

FESTIVAL DE TIRADENTES
 (Tiradentes, Minas Gerais, a partir de 18/1)
 Em sua 16a. edio, a mostra exibe 131 filmes nacionais e faz homenagem  atriz Simone Spoladore
 
MY FRENCH FILM
 (no site www.myfrenchfilmfestival.com, at 17/2)
 O festival online vai exibir dez longa-metragens, entre eles Segunda-Feira de Manh, de Jean-Marc Moutout, e A Desintegrao, de Philippe Faucon
 
PRAZER
 (CCBB, So Paulo, at 10/2)
Adaptao da obra Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector, sobre as angstias e inquietaes de quatro amigos


10. ARTES VISUAIS - CULTURA DO CHOQUE
Vik Muniz realiza curadoria consistente e eletrizante que poder mexer com as bases de sua carreira artstica
por Paula Alzugaray

Buzz/ Roesler Hotel, SP/ at 23/2

PONTILHADO
 Pintura "Infinity Dots", de 2008, da artista japonesa Yayoi Kusama
Em setembro de 2012, a galeria Nara Roesler anunciou um dos grandes lances do ano no mundo das artes visuais: o acordo de representao do artista brasileiro de maior reconhecimento internacional, que havia rompido contrato com a galeria Fortes Vilaa no incio do ano passado. Unanimidade de pblico, mas no de crtica, Vik Muniz estreia sua atuao em nova casa apresentando um trabalho curatorial surpreendente. Se sua obra artstica com elementos como acar, caviar, diamantes e luxo demonstra j h algum tempo sinais de cansao  embora mantenha intactos o interesse popular e os altos preos de mercado , em sua atuao como curador, o artista d sinais de grande vitalidade. Com um trabalho de alcance popular, Vik Muniz realiza uma exposio de muitos mritos sem negar sua origem pop.
 

ARTE PTICA
 Trabalho do artista Marcos Chaves, impresso da srie "Logradouro"
A atitude pop comea j no ttulo da exposio: Buzz, uma onomatopeia para representar os rudos visuais praticados por cada uma das 90 obras expostas. Est tambm no declarado interesse do artista nos choques entre erudio e cultura popular, manifestos em momentos-chaves da histria da arte, como, por exemplo, na ocasio do aparecimento da op art e da pop art nos Estados Unidos dos anos 1960, no contexto da gestualidade do expressionismo abstrato.
 
O curador, contudo, realiza em Buzz uma consistente anlise da op art, partindo de sua origem norte-americana, com artistas como Bridget Riley; passando pela arte cintica latino-americana com Carlos Cruz-Diez e Julio le Parc; pelo concretismo brasileiro, com artistas como Geraldo de Barros; pelo neo-concretismo, com Hlio Oiticica e Lygia Pape; pela abstrao geomtrica europeia, com Franois Morellet. Isso tudo desemboca na arte contempornea de artistas como Rodolpho Parigi, Roberto Cabot, Olafur Eliasson e Tauba Auerbach. Ao longo do roteiro da exposio, Muniz provoca vrios buzzes. Leia-se: impactos.

GEOMETRIA
 "Dub Plate", escultura de acrlico e madeira de Gilbert Hsiao
Altos impactos se fazem sentir, por exemplo, entre a irreverncia de uma pintura como Infinity Dots NTSEDT (2008), da japonesa Yayoi Kusama, e a gravidade de uma escultura do brasileiro Srgio Camargo. Com isso, Vik Muniz exercita nessa exposio uma cultura do impacto e do rudo que, espera-se, tenha saudveis efeitos sobre sua obra artstica.


11. ARTES VISUAIS  ROTEIROS - PONTO DE MUTAO
Mutatis Mutantis/ Galeria Moura Marsiaj, SP/ at 30/1 
Nina Gazire

A primeira dcada do sculo XX viu nascer uma nova gerao de pintores, avassalada pela confluncia de novas linguagens e a influncia de novas tecnologias. Brasileiros ou estrangeiros, em sua maioria jovens, bebem na influncia do realismo de expoentes alemes como Gerhard Richter e Sigmar Polke, fazendo um entrelaamento entre o figurativismo pop, a desfaatez surrealista e um certo expressionismo miditico guiado pelo cnone fotogrfico.
 
Na mostra Mutatis Mutantis, na galeria Moura Marsiaj, em So Paulo,  possvel perceber essa verve por meio do trabalho de cinco pintores brasileiros e da espanhola Irene Grau, que, segundo o curador responsvel pela seleo, Marcelo Campus, trazem imagens elaboradas a partir da observao de momentos e situaes de transmutao. Tal transmutao se d, por exemplo, pela instabilidade de estados pictricos  aquilo que seria prprio da pintura  e de imagens tcnicas, como a fotografia ou a imagem digital. O trabalho de Irene Grau, por exemplo, pode ser lido como uma espcie de abstracionismo high tech. Na obra RGB, por meio da projeo de acrlicos coloridos transparentes na parede, a artista transforma a luz em pintura imaterial, com cores feitas apenas em seu estado luminoso. Essa passagem, sempre intermediria entre diferentes manifestaes dessa pintura transmutvel, tambm se faz presente na srie de telas Damaged Files (foto). Em ingls, o termo da informtica, que significa arquivo danificado, foi traduzido por Irene em pintura ao transformar imagens digitais corrompidas e pixeladas em pinceladas geomtricas que tambm tm como nfase a cor.
 
Em outro extremo, no menos instvel, est a pintura figurativista do maranhense Thiago Martins de Melo. Revelao da ltima edio do Rumos Ita Cultural e duas vezes indicado ao Prmio Pipa, em 2011 e 2012, o pintor, que possui formao em psicologia, impulsiona sua obra com imagens alegricas da cultura popular brasileira. Em suma, mostra o lugar contemporneo da pintura, hoje muito mais transitrio do que perene, como um dia ela foi.

